ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que navegam levemente nessas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte das raízes da mãe do autor deste blog, Maria José Gomes Peixoto Freire, neta de Maria Clara de Magalhães Fontoura, trineta de Maria Jucunda de Magalhães Fontoura, descendente do Capitão-Mor Bento Freire do Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra, dos quais descende a mãe de Nísia Floresta, Antonia Clara Freire. Essas informações são encontradas no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti, um dos maiores genealogistas brasileiros. O referido livro pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA. OBS. Só publico comentários que contenham nome completo, e-mail e telefone, pois repudio anonimato.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A "CASA NAZISTA" DE NATAL




Na rua das Virgens, nº 184, na Ribeira, um sobrado chama a atenção pela beleza arquitetônica e aparência descuidada. O imponente exemplar foi construído para ser residência do imigrante iItaliano Guglielmo Lettieri. Mas quando você entra, algo muito mais curioso chama a atenção. Como se pode ver nas fotos abaixo. Uma extensa parte do piso, em ladrilho hidráulico, traz o desenho de uma cruz suástica. 




Sabemos que esse desenho é permeado de lendas, nem tanto por sua origem milenar, mas por ter sido adotado por Adolf Hitler, como símbolo do nazismo tão exibido nos uniformes militares. A bela residência abrigou o Consulado da Itália e após a morte do seu proprietário, a Bolsa de Valores.


Independente de se tratar de lenda ou não, há quem defenda que o cônsul italiano Guglielmo Lettierie, que ali morou por um bom tempo, era admirador dos nazistas e mandou confeccionar o ladrilho para homenagear Hitler. O dito italiano nasceu em 6 de maio de 1887, em villagio de Casalleto Spartano, na Itália. 


Contam que no ano de 1897 ele visitou o Rio de Janeiro com sua família, se apaixonou pelo Brasil, se organizou e retornou ao Rio no dia 3 de outubro de 1903, com 16 anos de idade. Perambulou um tempo em Recife e depois se mudou para Natal, onde ficou até a sua morte.



Foi proprietário de muitos negócios no Estado. Fundou a tradicional Cantina Lettieri e montou primeira fábrica de gelo de Natal na década de 30. Em 1928, enquanto representante da comunidade italiana em Natal, recebeu na referida casa os aviadores transatlânticos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prette, e em 1931 o General Italo Balbo.



Em 1938 foi nomeado cônsul da Itália no Rio Grande do Norte, e transformou o consulado italiano em Natal exatamente nesse local. Preso em 25 de junho de 1942, acusado de espionagem doi condenado em 22 de dezembro a 14 anos de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional. Foi anistiado ao fim da 2ª Guerra. Sob foros de cônsul, fez a entrega, na sala principal do consulado, da Medalha do Rei Vittório, alta condecoração fascista do governo do 1º ministro Benito Mussolini, ao escritor Luis da Câmara Cascudo, que por coincidência, representou o Integralismo mo RN.




Após a sua morte, seus familiares venderam o prédio à Bolsa de Valores do Rio Grande do Norte, que funcionou por muitos anos no local. Sabe-se que no Brasil há diversas pistas nazistas, mas nada que se compare ao que se vê no piso dessa residência. Digna de ser conhecida por todos. Por curiosidade, vale ressaltar que, assim como outras residências da ápoca (como a de Tavares de Lira) todas as suas paredes e a laje são reforçadas por grandes vigas de trilhos que foram utilizados no século XIX em vias férreas para o tráfego de trens.



Se as suáSticas ali afixadas são em homenagem ao nazismo ou uma mera referência à sua origem milenar, só mesmo Guglielmo Lettierie soube responder. Resta aos curiosos especular, até porque em termos de espiões nazistas que aqui transitaram durante a Segunda Guerra Mundial, de fato a história conta que houve muitos, e os norte-americanos não pareceram interessados em combatê-los...





O local, atualmente, abriga um restaurante de excelente qualidade, cujo proprietário é pessoa agradável, que recebe a todos com muita atenção. A casa, de fato, tem uma arquitetura admirável e conserva quase totalmente a sua originalidade. É rica em detalhes que a tornam digna do conhecimento de todos.

















































Seguem, abaixo, dois exemplos de peças antiquíssimas que trazem a cruz suástica que, para muitos é exclusividade do nazismo.
A estátua e o símbolo: imagem talhada no meteoro //Crédito: Reprodução Gizmodo

Estátua milenar com a cruz suástica no peito.