ANTES DE LER É BOM SABER...

Este blog - criado em 2008 - não é jornalístico, embora contenha alguns conteúdos que navegam levemente nessas águas. Os textos são de autoria de Luís Carlos Freire, o qual descende do mesmo tronco genealógico da escritora Nísia Floresta. Esse parentesco ocorre pela parte das raízes da mãe do autor deste blog, Maria José Gomes Peixoto Freire, neta de Maria Clara de Magalhães Fontoura, trineta de Maria Jucunda de Magalhães Fontoura, descendente do Capitão-Mor Bento Freire do Revoredo e Mônica da Rocha Bezerra, dos quais descende a mãe de Nísia Floresta, Antonia Clara Freire. Essas informações são encontradas no livro "Os Troncos de Goianinha", de autoria de Ormuz Barbalho Simonetti, um dos maiores genealogistas brasileiros. O referido livro pode ser pesquisado no Museu Nísia Floresta, no centro da cidade. Luís Carlos Freire é especialista na obra de Nísia Floresta, membro da Comissão Norte-Riograndense de Folclore, sócio da Sociedade Científica de Estudos da Arte e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Possui trabalhos científicos sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, publicados nos anais da SBPC, Semana de Humanidade, Congressos etc. É autor de 'História do Município de Nísia Floresta', 'Cultura Popular em Nísia Floresta', 'A linguagem Popular em Nísia Floresta', dentre inúmeros trabalhos na área de história, lendas, costumes, tradições etc. Uma pequena parte das referidas obras ainda não estão concluídas, mas o autor entendeu ser útil disponibilizá-la neste blog, enquanto as conclui. Algumas são inéditas. O acesso permite aos interessados terem ao menos uma boa noção daquilo que buscam, até porque existem situações em que certos assuntos não são encontrados nem na internet nem em outro lugar. Algumas pesquisas são fruto de longos estudos, alguns até extensos e aprofundados, pesquisados em arquivos de Natal, Recife, Salvador e na Biblioteca Nacional no RJ. O autor estuda a história e a cultura popular da Região Metropolitana do Natal. Esse detalhe permitirá ao leitor encontrar informações históricas sobre a intelectual Nísia Floresta Brasileira Augusta, sobre o município homônimo, situado na Região Metropolitana de Natal/RN, além de crônicas, artigos, fotos poemas, etc. É PERMITIDO COPIAR TEXTOS DESTE BLOG, DESDE QUE A AUTORIA SEJA MENCIONADA. OBS. Só publico comentários que contenham nome completo, e-mail e telefone, pois repudio anonimato.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

PIUM: TERRA RICA

Uma amoreira em Pium. 

Parece bobagem, mas isso diz muito. Com certeza esse pé de amora passa despercebido a muitas pessoas, principalmente aos governantes que ignoram a fertilidade do Vale do Pium, tão valorizada no passado.
Esse pé de amora anuncia que PIUM É A MANAH DE NÍSIA FLORESTA, ou seja, o berço mais fértil e próspero que ela tem. Em se plantando, tudo dá. 
AMORA É UM FRUTA DELICIOSA COMIDA "IN NATURA" - COM ELA SE FAZ SUCOS,  GELEIAS E DOCES FINOS
E justamente essa região que no passado foi tão próspera, hoje é abandonada por seus governantes. Que o diga os pequenos agricultores das "Parcelas".
Quando eu era criança, lembro-me dessa fruta abundante no meu estado de origem. Ela se alastrava pelos quatro cantos dali, mas aqui no RN. Em 1996 eu trouxe um galho do meu Estado e o replantei. Na última casa que morei em Nísia Floresta, deixei um pé. Não é possível que essa proliferação seja do pé que eu trouxe, mas isso até veio na minha mente. Ela não é comum, por isso tanto estranhamento, mas, como já disse, isso mostra o potencial agricultável daquela região. 
Onde floresce um tipo de planta que não é comum - pelo clima ou outro fator - imagine o que pode florescer em termos de frutos da terra. E é isso. Os agricultores esperam governantes que possam dar dignidade à agricultura de Pium, Hortigranjeira e Alcaçuz. É um direito. Só isso!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

VALE DO PIUM - FOTOGRAFIA DO DESPREZO

Ontem, andando no distrito de Pium, em Nísia Floresta, senti aquela sensação de quem anda em "terra de ninguém": angústia pura. Pium, apesar se sua potencialidade diversa, é um lugar desprezado e sem identidade. Ali, até o padre vem de Parnamirim (e de favor). Ouvimos dos moradores as mais revoltantes situações. 
Quando alguém precisa de médico, se socorre de Pirangi do Norte. As drogas ilícitas tomam conta do local. Não há política pública alguma para a juventude. As áreas verdes - segundo os próprios nativos - estão sendo invadidas por pessoas vindas de Ponta Negra, haja vista que em Natal não há mais espaço para pobre. Sobre essa colocação, percebi que, na realidade, são pessoas que correm de seus lugares de origem, atiçadas pela seca. E Ponta Negra é só um detalhe. 
Disseram-nos que num determinado ponto dali mora um integrante de facção que dá as cartas. Ninguém mais sai até as calçadas à tardinha, para conversar com os amigos, como faziam no passado. A lagoa, lugar de lazer natural, foi esquecida. Todos temem assalto e tudo que não presta.
O sr. Damião Pereira, um jovem senhor evangélico, morador de área central de Pium, disse-nos que quando um grupo de cabos eleitorais e candidatos andavam por ali, há uma semana, pedindo votos, ele se juntou aos demais moradores e trancaram a rua e não deixaram ninguém passar (são palavras dele). 
Disseram tudo o que estava engasgado, inclusive coisas muito fortes, que não é qualquer pessoa que tem coragem. Outro, disse que foi ao comício de um deles e retrucava tudo o que  o ex-prefeito dizia no palanque. Ele disse exatamente assim: "ele dizia, e eu desdizia". Teve um cara esquisito que até me segui depois, como quisesse me fazer medo. Fiquei perplexo.
Um jovem que estava na casa desse senhor evangélico, disse aguarda todos eles com ovos. Ele falava com um sentimento de revolta tão grande que dava pena. Eu até disse a ele que era lastimável que duas meninas gêmeas - de dez anos - filha de um deles - ouvir aquilo. 
Era para essas crianças ouvirem outro tipo de conversa e estarem inseridas num contexto de proteção e respeito por parte do poder público, e não aprendendo a sofrer tão cedo, encarando os "cânceres" de Nísia Floresta com tanta naturalidade. Coincidentemente, o pai dessas gêmeas contou-me que no dia em que elas nasceram, ele se encontrava em situação difícil, portanto correu até a casa de um vereador que não fez a menor menção de ajudá-lo. A bolsa de sua esposa estourou e quase que suas filhas nasceram com sequelas para o resto da vida. Só não aconteceu, segundo ele, pela caridade dos amigos (é aquela mesma história que escrevi anteriormente: no momento onde as mulheres precisam de mais paz e tranquilidade, é quando vivem mais terror psicológico, pois todos sabem que é possível até mesmo a gestante morrer em decorrência de um parto).
Já bem distante dali, conversando com um grupo de pessoas, uma jovem senhora disse que aguardava com ovos as pessoas que estavam caminhando com as duas coligações. Disseram que sentiam ódio desses administradores de Nísia Floresta, que não acreditavam em ninguém. Isso é muito triste, pois de tão enganadas reagem até mesmo com certa violência.
Pedi que eles os recebessem com o respeito que não estão acostumados a receber dos tais gestores. Que os acolhessem com muita educação e dissessem tudo o que quisessem, pois eram cidadãos vítimas de abandono administrativo. Era mil vezes melhor eles deixarem bem claro porquê não votariam neles. Frisei que agissem com educação redobrada, pois não compensavam os desgastes com quem eles já conheciam bem.
Os que estão no poder - hoje - tanto no Executivo quanto no legislativo - já deram o seu recado. Tudo é muito claro. Eles já mostraram concretamente para quê vieram. Não há nada de novo em Nísia Floresta.
Na realidade, tudo o que acontece em Pium é resultado de abandono administrativo. Mesmo com a geografia complexa de Nísia Floresta, é possível levar dignidade àquele povo. O segredo está em começar. Num lugar que não tem nada deve-se iniciar as políticas públicas gradualmente, a partir das prioridades. É um processo. E aos poucos as coisas vão melhorando. 
Mas quem dará início a essa mudança?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A MORTE DO SR. AVELAR PRECISA SER ESCLARECIDA


Nísia Floresta tem sido palco de mortes misteriosas ao longo dos últimos anos. Uma delas, é a de "Tuchê", publicada aqui mesmo nesse blog, creio que em 2009. Mas como "Tuchê" era pobre de Jó, ninguém mais falou sobre ele. E o Professor Avelar? Aquele que era responsável por assuntos relacionados à energia elétrica, então funcionário da Prefeitura Municipal de Nísia Floresta, dentre outras funções afins, quem fala sobre sua morte?
O Sr. Avelar Freire era um professor aposentado, respeitadíssimo no SENAI. Tinha 60 anos na época de seu assassinato. Seu corpo apareceu numa sexta-feira do dia 18 de abril de 2008, coincidentemente ano de eleição, num canavial no "Ribeiro", limítrofe entre Nísia Floresta e São José de Mipibu. Ele desapareceu num domingo, cinco dias antes de seu corpo ser encontrado pela Polícia Militar. O assassino o alvejou com dois tiros: um no peito e outro no abdômen. Sua cabeça trazia marcas de pauladas, dando a entender que ele foi pego de surpresa e só recebeu os tiros depois de cair. Seu carro, um Santana, estava queimado.
Diferente dos tradicionais bandidos, que são mortos em decorrência de drogas, furtos, assaltos etc, o Sr. Avelar Freire foge completamente desse perfil. Era um homem altamente idôneo – um educador – tinha uma visão de mundo completamente diferente de muitos. Todos o descrevem como uma pessoa boa, prestativa, inteligentíssima. Versões sobre o seu assassinato foram disseminadas em Nísia Floresta, mas, curiosamente, o assunto sempre foi dito com "boca de siri". Trata-se de um fato intrigante, pois a intenção foi apenas eliminá-lo. Quiseram tirá-lo de cena. Não havia outra intenção do tipo roubar o carro, o dinheiro etc. Nota-se que segundos separaram o momento em que o Sr. Avelar Freire foi abordado pelo assassino do momento em que recebeu as pauladas e depois os tiros. Ele estava com 10.000 (Dez Mil Reais) em espécie, ou seja "dinheiro vivo", e o assassino não levou uma moeda.
O assassinato do Dr. Avelar Freire precisa ser esclarecido. A população precisa estar a par. Os fatos precisam ser destrinçados, pois da forma como se banaliza a morte – justamente de um educador – pessoa do bem – passa à sociedade a ideia de que a vida de qualquer pessoa não vale nada. Qualquer um pode ser assassinado a qualquer hora e pronto! Acabou! É só ir ali no distrito tal, encomendar uma morte e está resolvido o "problema". Tirou-se do jogo fulano ou beltrano. Seria assim? Isso está certo? Que tipo de pessoa esclarecida somos nós – sociedade – que não indaga as suas mazelas e atrocidades? Qual o papel de um cidadão de bem, se ele não se faz luz diante da escuridão dos piores cânceres que adoecem a sociedade?
Por que a sociedade se cala? Qual a razão de não ser apurada a autoria desse crime tão bárbaro. Poderia ter sido você, leitor, que é pessoa tão de bem tanto quanto o Sr. Avelar. Um povo que se cala diante da fome, da miséria, do alcoolismo, da corrupção, do enriquecimento ilícito de políticos e funcionários públicos, das drogas, enfim do pior terrorismo social, não pode se proclamar cidadão. E quando tais cidadão são pessoas públicas, pior!
Não é a primeira vez que escrevo sobre amorte do Sr. Avelar. É algo que me intriga muito e me preocupa em se tratando do futuro desse município.
Ah! Mas Luís Carlos não mora aqui" Ora! Precisa morar? O que é morar para você? Eu não moro, mas Nísia Floresta mora em mim. A cidade me deu uma missão. E essa missão é lenta, mas é uma missão. A própria patrona da cidade disse muitas vezes que tinha uma missão. E cumpriu-a! Alguns equivocados me traduzem como "forasteiro". É depreciação infantil dizerem-me forasteiro na terra onde jaz a casa onde morou minha avó, falecida com quase 100 anos, na Mazapa – onde a casa está intacta! É irônico ser forasteiro trazendo nas veias o mesmo sangue da patrona da cidade. Os livros de genealogia não mentem, principalmente quando são escritos por um dos maiores especialistas em heráldica do país: Dr. Ormuz Barbalho Simonetti (cujo Museu local traz um exemplar para consulta).
Quem se incomoda com as minhas preocupações com Nísia Floresta devem antever que ela não provém do ridículo interesse de comandar pastas públicas. Pelo que contrário, quero ver pessoas que eu sei que querem o melhor para Nísia Floresta. E quando vejo a questão da violência – até ela – ser tratada assim – onde se esquecem de um assassinato tão escabroso – de um homem tão especial. Um educador... fico perplexo! O que é a vida! Os problemas de ordem da SEGURANÇA PÚBLICA não são exclusivos de Nísia Floresta, mas precisa-se fazer algo. Há necessidade de interferência das instituições. Não se pode deixar crescer o problema, ignorando-o.
Sinto muito pela ausência do Sr. Avelar. Assim como sinto a morte de "Tuchê" e outros tantos. Por incrível que pareça, conheci o Sr. Avelar, pessoalmente, dez dias antes de ele ser assassinado. Quando ele me viu, disse: "ah! Então é você o Luís Carlos!" Eu o interrompi na hora: "e é o senhor, o Avelar?" Conversamos muito, e é por essa conversa que eu entendo que Nísia Floresta tem o dever de saber o que houve naquela emboscada de abril.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PARQUE/ZOOLÓGICO "EMANOEL DE ALMEIDA". - SALVEMO-LO ENQUANTO É TEMPO


Talvez você não perceba, mas esse PARQUE/ZOOLÓGICO NATURAL DE EXTRAORDINÁRIA BELEZA está tão perto de você que talvez nem seja percebido. Ou você nem saiba mesmo. Fica ao lado do CONJUNTO JESSÉ FREIRE em NÍSIA FLORESTA. Está situado na divisa da área urbana, bem defronte à casa de "Zé Mendes", irmão de Lourenço, ao lado da casa de "Dedé do IBAMA". Essa mata, que é o único resquício de Mata Atlântica existente dentro de área urbana nisiaflorestense, sofre risco de ser derrubada. Com tanta terra em Nísia Floresta, acharam de recentemente derrubar justamente parte dela. 
JATOBAZEIRO - COM FRUTOS - ÁRVORE ENCONTRADA NESSA RESERVA
É inadmissível que gestores, vereadores e profissionais da área do turismo - que estiveram e estão no poder - não estudem um mecanismo legal para transformar esse belo parque numa RESERVA NATURAL PARA ESTUDOS E PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES DE FAUNA E FLORA. O PARQUE/ZOOLÓGICO seria aberto ao público numa proposta elaborada por profissionais da FLONA de Nísia Floresta, universitários das áreas de Ecologia, Biologia, Turismo e áreas científicas afins. Construiria-se pequenas trilhas para passeio, oferecendo infra-estrutura adequada, inclusive com venda de produtos da terra, tanto comes-e-bebes como artesanato etc. Seria um dos pontos turísticos urbanos de Nísia Floresta.
É COMUM  VER OS CONCRIZ VOEJANDO PELAS ÁRVORES
Talvez o leitor estranhe essa denominação PARQUE/ZOOLÓGICO. Na realidade o nome é o de menos. Pode ser ZOOLÓGICO NATURAL ou PARQUE-ZOOLÓGICO NATURAL. Não me refiro ao estilo atual de zoológico, o qual considero um crime. Falo de um espaço natural no qual o visitante pudesse contemplar os animais livremente, na sua naturalidade, soltos. E como isso é possível apenas à avifauna e pequenos insetos, moluscos e animais afins, seriam eles a atração. Os pássaros só frequentam espaços com muitas árvores. O Parque também seria espaço de animais com deficiência física, vítimas da ação humana, tornando-se um polo de recebimento de animais maltratados, disponibilizando a eles um habitat o máximo semelhante ao seu, em área fechada por telas adequadas, já que não podem ficar soltos. Mas visíveis ao público. O local seria referência para o país, cujas escolas e universidades o coordenariam com foco na ação educativa. A ideia seria sensibilizar principalmente as crianças sobre a necessidade de se respeitar a liberdade dos animais, e que aqueles estariam ali simplesmente para serem cuidados, haja vista que o homem tirou a sua liberdade, domesticou-o, machucou-o etc. O parque teria a tônica do "cuidar", do "zelar", do "respeitar" o animal.
PAU-FERRO, UMA DAS ESPÉCIMES MAIS ENCONTRADAS NA MATA
Sobre essa bela reserva natural - inacreditavelmente dentro de área urbana, resta salvá-la, pois do jeito que vemos o próprio poder público fazendo vistas grossas, toda essa mata corre o risco de ser derrubada a qualquer hora. Infelizmente assistimos gestões sem visão de futuro, sem planos civilizados para a sua população. Até agora o povo não pôde dizer "Esse (a) faz a diferença".
Há 7 anos, neste mesmo blog, escrevi algo parecido sobre a necessidade de se salvar esse Parque. Tento fazer com que as pessoas enxerguem esse espaço e se apropriem dele enquanto é tempo. 
Há quinze anos entrei nessa mata com um mateiro nisiaflorestense e fiquei impressionado com a sabedoria dele, o qual deu-me uma aula, identificando os nomes populares de cada espécie de planta e para que servia - em termos medicinais, e até mesmo na carpintaria - cada uma delas. Ao longo da trajetória, vimos vários pássaros, imediatamente decifrados pelo mateiro.
EM 2001 VI UM NINHO DE "PERIQUITO DA CAATINGA"  NUMA DAS INCONTÁVEIS ÁRVORES DA RESERVA

Tive um aluno, falecido de forma trágica, em 2010, o qual era fascinado por essa mata. Ele vivia passeando por suas veredas, perquirindo-a. Era um jovem muito inteligente e, infelizmente discriminado por boa parte da sociedade. Para mim esse parque se chama PARQUE/ZOOLÓGICO "EMANOEL DE ALMEIDA", mesmo sem ser o nome oficial. Na terra onde se dá nome de clube de idosos a gente que o povo nunca viu, nome de professor a Posto de Saúde e coisa parecida, nada mais sensato que se dar - por excelência - o nome de um jovem nisiaflorestense ao parque que ele tanto amou e zelou.

MAS, VOLTANDO AO CERNE DA QUESTÃO, POR FAVOR, SENHORES GESTORES/VEREADORES, SECRETÁRIOS DE TURISMO/MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO,  NÃO PERMITAM QUE SEJA DERRUBADA A ÚNICA SOBRA DE MATA ATLÂNTICA NO CENTRO DE NÍSIA FLORESTA. EM NOME DE SEUS FILHOS E NETOS... POR FAVOR!

NÍSIA FLORESTA: A TERRA DO TURISMO IGNORADO!

Dia desses, brincando, eu conversava com uma criança nisiaflorestense, e disse: "Eu sei onde existe um POTE DE OURO enterrado aqui em Nísia Floresta".
O menino – de uns 9/10 anos, ficou impressionado e pediu que eu dissesse onde era. Queria ir lá para desenterrá-lo com o pai. Daí eu expliquei-lhe que o pote de ouro estava em muitos lugares, e não era possível desenterrá-lo. A criança insistiu, e tive que explicar que me referia ao POTENCIAL TURÍSTICO de Nísia Floresta. 
E fui dar-lhe uma aula. O menino ficou impressionado. Lembro-me que ele disse: "Pôxa vida, como eu queria ter uma vida melhor. Se o meu pai fosse um guia de turismo, tivesse um buggy, eu até poderia ter um computador. Minha mãe poderia até trabalhar em alguma coisa dessa que o senhor falou!"
É simplesmente inacreditável – e intolerável – sermos o município com o potencial turístico mais rico do Rio Grande do Norte – VERDADEIRA INDÚSTRIA SEM CHAMINÉ e, no entanto – vê-lo ignorado por sucessivas gestões públicas, inclusive a atual, que foi indicada pelo ex-prefeito, que, como se não bastasse, hoje lança uma candidata ao cargo de gestora, a qual dará continuidade ao legado de desprezo ao turismo.
Pegue o mapa do Rio Grande do Norte e compare o tamanho do município de Nísia Floresta com os que fazem divisa com ele e mesmo os que são próximos.
Nísia Floresta é maior que a maioria, inclusive Natal.
Faça uma varredura nesses municípios e me responda qual deles é dono de um patrimônio material/imaterial que possua:
1) uma figura histórica do nível de Nísia Floresta, cujo legado projeta o município para todos os países do mundo? (somando a isso o seu túmulo, um monumento e a escultura feita por seu pai, existente na sacristia);
2) 26 lagoas com cenários cinematográficos;
3) 3 baobás, inlclusive um deles, projeta o município para os sete cantos do Brasil por sua história;
4) trechos intocáveis de Mata Atlântica;
5) uma igreja do século XVIII, iniciada a sua construção em 1735;
6) um frontão de cemitério dos mais belos do Brasil, datado de 1798;
7) uma casa-grande em perfeito estado de conservação, do início do século XIX (Engenho São Roque), com resquícios dos equipamentos do antigo engenho;
8) uma estação ferroviária datada de 1881, feita tal qual os primeiros modelos originais, ingleses do mundo;
8) 5 belas praias;
9) um contexto de imigração japonesa iniciado no final de 1930, consistindo no primeiro município brasileiro a contar com colônia nipônica fora do estado de São Paulo, que para cá veio trabalhar com agricultura e hortifrutigranjeiros;
10) a primeira casa em alvenaria do Brasil, datada de 1575, situada no distrito do Pium;
11) tenha o Registro de Nascimento da Campanha da Fraternidade no Brasil;
12) tenha recebido um padre da Bélgica que deu origem a um tipo de artesanato praticado até hoje, consistindo no único "meio de vida" de muitos nativos;
13) um contexto de lendas e histórias maravilhosas, inspiradoras e geradoras dos mais belos trabalhos acadêmicos;
14) significativas manifestações folclóricas no campo da dança, do drama e outras vertentes de cultura popular;
Nísia Floresta, simplesmente é diferente de tudo o que se vê por aí. Se eu for destrinçar aqui o potencial turístico de Nísia Floresta, não pararei mais, pois é de uma enormidade tão impactante que, quem não mé de Nísia Floresta, dirá que estou mentindo. É simplesmente um fenômeno.
NÍSIA FLORESTA: A TERRA DOS ENGENHOS DE AÇÚCAR, HOJE É UM ENGENHO DE TURISMO DA MAIS ALTA QUALIDADE – MAS - INFELIZMENTE – IGNORADO! PASMEM!
Não sou da área do Turismo, mas até uma pessoa semi-alfabetizada sabe até mais que eu sobre o que destrinço aqui. Não é novidade. A única novidade é aparecer alguém que reconheça isso, se aproprie desse contexto e o transforme numa fábrica de dinheiro, gerando emprego, projetando o município e ampliando cada vez mais a sua economia.
Confesso que eu sinto revolta ao ver uma cidade de miseráveis sobre uma das terras mais férteis e cheias de água da região, onde todos poderiam ser ricos. Há uma coisa tão simples, chamada GUIA TURÍSTICO. Mas qual deles traz essas informações acima? Onde estão os guias turísticos? E os GUIAS DE TURISMO? Onde estão?
O TURISMO EM NÍSIA FLORESTA É UMA CASA DA MOEDA IGNORADA. A partir do momento que um gestor realmente visionário, construir com o seu povo uma Política de Turismo nesses moldes – ou seja – abrindo as portas dessa CASA DA MOEDA – fazendo-a funcionar, a sua economia dará um salto, melhorando a vida de muitos trabalhadores.
A impressão que tenho é que sucessivos prefeitos preferem esconder tudo isso, pois sabem que esse potencial significará a independência de Nísia Floresta.
São tantas possibilidades de geração de emprego através do TURISMO, que a população terá condição de dar dignidade às suas famílias, sem precisar viver pedindo esmolas aos vereadores ou às portas da Prefeitura. É POR ISSO QUE TAIS PREFEITOS E VEREADORES NÃO QUEREM EXPLORAR A FAMOSA FÁBRICA SEM CHAMINÉ, POIS GERA RIQUEZA E INDEPENDÊCIA.
É tudo o que falta. É tudo o que eles não querem!
E quando eu vejo tais políticos – que não são nada políticos – e, sim, POLITIQUEIROS, servindo-se de seus mandatos por vaidade, SEM APRESENTAR NADA RELEVANTE DIANTE DE TANTA COISA INSPIRADORA, EM TERMOS DO SEU TURISMO, potencializa em mim a certeza de jamais reelegê-los, e tampouco pedir votos para quem eles indicam. Pois eles indicam a continuidade do marasmo, do ostracismo, do abandono. É muito claro tudo isso. Só engana-se quem quer.
Dia desses uma jovem da Rússia entrou em contato comigo, encantada sobre a História da intelectual Nísia Floresta, lida neste blog. Ela nos visitará em janeiro. Outro dia uma professora de Santa Catarina fez contato para discutir sobre umas lendas que publiquei. EU SÓ NÃO ENTENDO COMO OS GESTORES E VEREADORES QUE ESTÃO NO PODER IGNORAM TUDO ISSO.
Neste texto eu abordei apenas um ponto capaz de alavancar a economia nisiaflorestense. E quando você olha e vê que são muitas, muitas, muitas outras formas diferentes do aspecto do TURISMO - capazes de gerar riqueza - dá pena tanto desprezo. Com toda sinceridade, jamais eu teria a coragem de sujar o meu nome, passando por uma administração, deixando uma história tão igual aos antigos intendentes municipais. Jamais!
Como eu queria que um gestor ficasse tão impressionado como o garotinho que eu contei a história do início desse texto...